
Entrevista cedida ao jornalista Gilberto Negreiros para o site almanaque Folha hospedado no provedor UOL.
Essa entrevista faz parte de uma série intitulada “ Jornalistas contam a história”
São Paulo, terça-feira, 9 de janeiro de 1979
O golpe do Estado Novo antes de tudo foi um atentado ao livre arbítrio da imprensa nacional. E embasados no testemunho profissional de Joel Silveira, jornalista desde os 18 anos e ingressando com a mesma idade no Estado do Rio de Janeiro e também na imprensa carioca, tentaremos descobrir e compreender os efeitos desse tempo tão lembrado nos dias de hoje pelos profissionais da notícia. Ele e mais um grupo de jornalistas da mesma época viveram intensamente os sintomas que o chamado Estado Novo obteve sob o controle de notícias e, paradoxalmente obtiveram notoriedade com seus trabalhos no período conhecido como a Grande reportagem dos anos 40.
Mas, foi no jornal o Diário da Noite que ele conquistou sua fama por fazer uma reportagem especial que agradara muito o então presidente do nosso país Getúlio Vargas. A série de nome “Grã finos em São Paulo”, na verdade tratava-se de uma sátira onde ele, um sergipano rude e de sotaque forte narrava suas aventuras pelos salões da burguesia carioca disfarçado de "gentleman". Segundo o próprio Joel Silveira o então presidente que possuía um descarado desprezo por essa burguesia deliciava-se com suas aventuras.
Conta-nos o jornalista que o controle da Imprensa durante esses anos foi colocado em mãos de um fascista assumido chamado Lourival Fontes, nesse momento a grande imprensa aderiu ao Estado Novo e a seu controle com exceção de O Estado de São Paulo, outros jornais que tentaram protestar contra o novo regime foram fechados ou empastelados, termo usado na época para descrever a situação onde a redação de um jornal era invadida e tinha seus materiais e equipamentos destruídos
Conta também em seu depoimento como era a rotina nos tempos da censura “lá pelas nove e meia dez horas, um telefonema com aquela vozinha: "Silveira, olha aqui, está falando fulano (geralmente dava só o primeiro nome), não pode sair aquilo, evite comentários..."
Quando perguntado se as ordens eram acatadas ele responde que sim, se não eram o resultado era o fechamento.
Nessa época o mercado de trabalho ficou escasso pois as noticias vinham prontas da Agencia Nacional, tudo vinha mastigado contendo inclusive e que página determinada matéria deveria ficar.
Mas há também o lado obscuro dos jornalistas da época, onde eles eram isentos de impostos e os donos dos jornais não pagavam pelo papel, mas esse é o lado corrupto da censura e denuncia:
JOEL SILVEIRA: O Conselho Nacional da imprensa tinha apenas um nome: Roberto Marinho.
Como Joel vê a imprensa hoje?
“Está muito bom. Eu estou achando formidável. Não tem dúvida, está perfeito, porque é toda. Quem é que não está contra? Mas a imprensa tem que ter inteligência, a imprensa não vai ficar contra os leitores.”
Cintia Renata
Essa entrevista faz parte de uma série intitulada “ Jornalistas contam a história”
São Paulo, terça-feira, 9 de janeiro de 1979
O golpe do Estado Novo antes de tudo foi um atentado ao livre arbítrio da imprensa nacional. E embasados no testemunho profissional de Joel Silveira, jornalista desde os 18 anos e ingressando com a mesma idade no Estado do Rio de Janeiro e também na imprensa carioca, tentaremos descobrir e compreender os efeitos desse tempo tão lembrado nos dias de hoje pelos profissionais da notícia. Ele e mais um grupo de jornalistas da mesma época viveram intensamente os sintomas que o chamado Estado Novo obteve sob o controle de notícias e, paradoxalmente obtiveram notoriedade com seus trabalhos no período conhecido como a Grande reportagem dos anos 40.
Mas, foi no jornal o Diário da Noite que ele conquistou sua fama por fazer uma reportagem especial que agradara muito o então presidente do nosso país Getúlio Vargas. A série de nome “Grã finos em São Paulo”, na verdade tratava-se de uma sátira onde ele, um sergipano rude e de sotaque forte narrava suas aventuras pelos salões da burguesia carioca disfarçado de "gentleman". Segundo o próprio Joel Silveira o então presidente que possuía um descarado desprezo por essa burguesia deliciava-se com suas aventuras.
Conta-nos o jornalista que o controle da Imprensa durante esses anos foi colocado em mãos de um fascista assumido chamado Lourival Fontes, nesse momento a grande imprensa aderiu ao Estado Novo e a seu controle com exceção de O Estado de São Paulo, outros jornais que tentaram protestar contra o novo regime foram fechados ou empastelados, termo usado na época para descrever a situação onde a redação de um jornal era invadida e tinha seus materiais e equipamentos destruídos
Conta também em seu depoimento como era a rotina nos tempos da censura “lá pelas nove e meia dez horas, um telefonema com aquela vozinha: "Silveira, olha aqui, está falando fulano (geralmente dava só o primeiro nome), não pode sair aquilo, evite comentários..."
Quando perguntado se as ordens eram acatadas ele responde que sim, se não eram o resultado era o fechamento.
Nessa época o mercado de trabalho ficou escasso pois as noticias vinham prontas da Agencia Nacional, tudo vinha mastigado contendo inclusive e que página determinada matéria deveria ficar.
Mas há também o lado obscuro dos jornalistas da época, onde eles eram isentos de impostos e os donos dos jornais não pagavam pelo papel, mas esse é o lado corrupto da censura e denuncia:
JOEL SILVEIRA: O Conselho Nacional da imprensa tinha apenas um nome: Roberto Marinho.
Como Joel vê a imprensa hoje?
“Está muito bom. Eu estou achando formidável. Não tem dúvida, está perfeito, porque é toda. Quem é que não está contra? Mas a imprensa tem que ter inteligência, a imprensa não vai ficar contra os leitores.”
Cintia Renata
Link da entrevista : http://almanaque.folha.uol.com.br/memoria_5.htm
Outras pesquisas: http://allancampos.wordpress.com/2008/07/01/glossario-jornalismo-impresso/
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