16 de setembro de 2008

Censura à imprensa escrita – O Estadão

Os jornais impressos sofreram muito no período do Estado Novo. Matérias que pudessem ameaçar o Regime, com mensagens “nas estrelinhas”, protestando ou até mesmo deixando de destacar as qualidades de Getúlio Vargas eram censuradas pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), que por sua vez, controlava inteiramente a imprensa e emitia listas de assuntos proibidos. O suborno a jornalistas e donos empresas jornalísticas também eram bastante comuns na época, quem não enriqueceu acabou por fechar as portas de seus jornais, pois a recusa na colaboração com o órgão de repressão era como assinar a própria sentença de morte. Ou os jornais corriam esse risco, ou reproduziriam a mais nítida propaganda da ditadura.
Dos jornais brasileiros censurados nesse período, O Estado de S. Paulo (Estadão) foi um dos mais prejudicados, ficando por cinco anos “fora do ar”, isto porque seus titulares resolveram ignorar os números publicados entre 7 de abril de 1940 a 6 de dezembro de 1945. O motivo dos cinco anos “no vazio” foi a invasão da Polícia Militar no Jornal, em 23 de março de 1940, acusado de esconder armas, consequentemente entregue ao DIP. Depois de ter sido tomado pela polícia, o periódico só voltou a seus donos em dezembro de 1945, quando Júlio de Mesquita, Júlio de Mesquita Filho e Paulo Duarte retornaram do exílio. O Estadão voltou a ser publicado pelos seus legítimos donos em dezembro de 1945, circulando com o número 21.650, última edição antes da ocupação.
O Estadão sofreu dessa forma porque não publicava material enviado pelo DIP e não fazia propaganda do presidente nem de seus auxiliares. Com isto, o Jornal sofreu com problemas financeiros, já que não tinha apoio do governo nem da base aliada ao mesmo, consequentemente, foi obrigado a fazer um empréstimo na Caixa Econômica Federal para poder se manter. Contudo ainda sofria pressão, pois Vargas telefonava para o Jornal pra saber se as contas estavam em dia.
O Regime do Estado Novo foi uma espécie de nuvem negra que passou sobre o teto dos jornais brasileiros. A imprensa escrita foi nocauteada, pois sua tão famosa liberdade foi suprimida violentamente no período. A informação não tinha mais relevância, já que sua aura fora suprida pela propaganda ao Regime. A maioria se rendeu a pauta do Governo, já quem bateu de frente sofreu naquele momento, porém, teve seu prestígio reconhecido pela História, como aconteceu com O Estado de S. Paulo.

Juan Franscesco Piva
Fontes: http://www.estadao.com.br/historico/index.htm

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